PREVISÃO DO TEMPO

O que os outros diziam importava e até certo ponto machucava. Não sabia o que era ou quem eram, mas eles a olhavam e cochichavam e riam e dissimulavam. Ela então diminuía o passo e encolhia a barriga e trocava o penteado e falava mais baixo e não falava mais nada.

Não ouviu a música não? É impossível ser feliz sozinho, a colega de trabalho cantarolou de olhos fechados, balançando a cabeça e exibindo uma felicidade ensaiada. Ela ficou olhando para janela, um mundo sem música do lado de lá. Ficou confusa diante de sua vida, não sabia se estava do lado de dentro ou do lado de fora.

Fez o que pode. Conversou com estranhos nos ônibus, ficou até o fim das festas, não bebeu até vomitar, transou conscientemente no primeiro encontro, foi simpática com gente idiota, conversou sobre o tempo, tolerou ignorância, fumou menos, ligou para telefones empoeirados. Não desviou o olhar.

Mas aos sábados, cinema, sozinha. E era bom. Mas só sabia sentir, não sabia explicar.

Na segunda-feira, enfeitava a vida para a colega: Conheci alguém na internet, gente boníssima, lê Kafka e fuma um bag de vez em quando, mas foi tudo meio turvo, não deu certo; Conheci alguém no show dos Los Hermanos, gosta do Leminski e já viu tudo do Kubrick, cerveja e palavrão, um quase amor, mas acabou junto com a banda e todo o resto; Conheci alguém...

Abria seu e-mail e descobria formas de aumentar o pênis em apenas trinta dias, recebia propostas para ganhar muito dinheiro sem sair de casa, ganhava descontos nas melhores casas do ramo da prostituição, recebia do provedor de internet os parabéns pelo seu aniversário que passou, era premiada com brindes de várias lojas, ajudava doentes de câncer apenas reenviando aquela mensagem para mais trinta pessoas, encontrava crianças desaparecidas, deixava de fumar em apenas uma semana, perdia peso de maneira rápida e fácil. Fingia alegrar-se por receber mensagens de tanta gente.

Conheceu alguém. Ou talvez tenha sido apenas um engano, já que a água salgada distorceu algumas de suas lembranças. Sabe só que foi num desses domingos estragados de tempestade.  Perdeu o ônibus, o motorista não quis esperar.  Pensou que melhor assim, com a passagem a um Real todo mundo resolve ir de um lado para outro, feito baratas esfomeadas. Eles seguem amontoados sem conseguir respirar, talvez seja uma opção de fuga, pois de outra forma, teriam que permanecer afundados nos sofás de suas casas sem conseguir respirar. Ela respirou fundo e seguiu a pé.

Foi caminhando e desviando das poças. A chuva insistia e distorcia os reflexos dos espelhos no chão. Entre um salto e outro, o toque no ombro. Vem comigo que eu te levo, disse o homem oferecendo o espaço entre o peito e o braço estendido, ao abrigo do guarda-chuva. Aquela voz não lhe soava algo novo. Ela então aninhou-se num abraço apertado sem dizer palavra. O seu rosto era parecido com um rosto conhecido, do qual ela não se lembrava, mas que sugeria algum tipo de intimidade ou afeto, algo que causava desconforto e alívio ao mesmo tempo, feito a memória de um fato futuro. Ficaram ali parados até a lama secar e o pó voltar para as roupas limpas no varal.

No outro dia, contou para a colega que tinha conhecido alguém. E surpreendeu-se ao perceber que não estava mentindo nem inventando alguma história a respeito de si mesma. É claro que nada soube dizer sobre a conversa que teve com o homem e que também não soube detalhar a beleza daquele rosto tão familiar, pois estava chovendo muito e a memória ficou um pouco confusa. Mas não dizer nada não era a mesma coisa que mentir, pelo contrário. A colega disse para ela tomar cuidado, afinal tinha muita gente ruim espalhada por aí.

A penumbra do seu quarto foi rasgada pela luz do visor do celular piscando – Nova Mensagem – leu e releu cada caractere, cada letra, cada ponto, cada sinal, separou tudo em pequenas partes e depois as uniu novamente, para que durasse mais, para que aquilo se tornasse eterno, para que as palavras fossem maiores que o texto, maiores que a realidade. Naquela noite, todo o resto era escuridão e coisas sem importância. Demorou a retomar o sono.

No dia do encontro ela saiu de casa cantarolando uma música bonita que falava sobre o mar, mas no meio do caminho esqueceu a letra. Seguiu então em silêncio tentando antecipar os assuntos que iriam conversar e imaginando que tipo de história viveria para contar no dia seguinte.

O ponto estava lotado e quando o ônibus apontou na esquina ela sentiu uma pontada no estômago. Fitou a água transbordando do bueiro entupido durante longos segundos. Estava mesmo chovendo quando saiu de casa naquele dia? Viu na previsão que seria um dia bom. Tinha certeza, mas não sabia se era verdade.

O ônibus encostou e partiu. Ela permaneceu imóvel, sentindo o gosto de monóxido de carbono na boca. Tossiu um pouco e resolveu voltar para casa para pegar um guarda-chuva, mas mudou de idéia no meio do caminho. Seguiu então em direção ao cinema, talvez ainda conseguisse pegar a sessão das dezenove.



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 09h29
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 ACULPA É DO FIDEL!

Quando se fala em 11 de Setembro é natural que as pessoas se lembrem dos famosos aviões atingindo as Torres Gêmeas em Nova York. Mas há também um trágico 11 de Setembro na história da América do Sul, mais precisamente no Chile, quando em 1973 os militares derrubaram o governo de Salvador Allende.

Allende propunha transformar o país através de um regime socialista, mas de forma pacífica e até mesmo democrática, algo que encheu a população de esperança num futuro próspero. O problema é que grupos extremistas, tanto de direita como de esquerda, não acharam essa idéia legal e resolveram quebrar tudo. Todo esse clima de confrontamento aliado ao abalo econômico, fez com que a população do Chile passasse por maus bocados naquele período.

Tendo em vista todo esse clima de tragédia política é interessante verificar que o filme A Culpa é do Fidel se trate de uma comédia. E desde Adêus, Lênin! (2002) eu não assitia a um filme que conseguisse aliar humor e História com tamanha inteligência e sensibilidade.

O filme digido por Julie Gavras conta a história da pequena Anna (Nina Kervel-Bey) uma menina de 9 anos que se vê perplexa diante de uma mudança radical em sua vida, após os seus pais assumirem um posicionamento político extremista.

Anna vive um cotidiano tranqüilo, mora em uma casa confortável cheia das mordomias, freqüenta uma escola católica só para meninas, brinca com seu irmãozinho François (hilário!) e conversa com a empregada, uma cubana que veio para Europa fugindo da revolução de Fidel. Mas é com a chegada de uma tia, que veio da Espanha, após a morte do marido perseguido pela ditadura de Franco, que as coisas saem dos eixos. Os pais percebem que até então adotaram uma postura muito pacífica ou mesmo covarde, diante de tantas atrocidades políticas. Então decidem fazer parte de um grupo que apóia a candidatura de Allende ao governo do Chile (a história se passa entre 1970 e 1973). A família se muda para uma casa mais simples (o que leva a menina a pensar que eles estão empobrecendo), ela é proibida pelos pais de freqüentar as aulas de catecismo e eles passam a receber a visita de estranhos homens barbudos, que discutem o momento político da América do Sul e criticam o capitalismo.

A construção da personagem acontece de maneira muito inteligente - sem soluções fáceis ou pausas para explicações – e é calcada principalmente nas pequenas mudanças de atitude da menina (a cena em que as crianças correm entre os adultos, enquanto todos ouvem a notícia no rádio, é um ótimo exemplo disso).

Ao contar a história a partir de uma perspectiva infantil, o filme sugere uma aparente leveza, já que se trata de uma visão “inocente” a respeito de um tema espinhoso. Porém, ao transitar pelos questionamentos próprios de uma criança (muitas vezes de uma sinceridade desconcertante) a narrativa ganha uma complexidade bastante interessante como quando Anna questiona “se estou do lado da maioria, significa que estou do lado certo?”. E essa é apenas uma das várias outras questões interessantes despertadas por esse belo filme, uma das raras obras que consegue nos fazer rir e chorar quase que na mesma medida.

 

                                      



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 14h43
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ONDE ESTÁ A MENSAGEM?

Recentemente, discutindo sobre qual seria a função ou as funções do cinema na vida das pessoas, alguém me disse que filme bom é aquele que “passa uma mensagem”. O termo por si só já me causa arrepios, pois me parece, posso estar enganado, que ele está diretamente relacionado à abominável “literatura” de auto-ajuda, já que a “mensagem”, na visão dessa pessoa, provavelmente tenha que ser uma “mensagem positiva” ou a tal da “lição de moral”, coisa que para mim, reduz a arte a um mero panfleto explicativo. É a idéia de que nós precisamos de respostas rápidas, fáceis, exatas, de analgésicos que tornem as nossas vidas mais ensolaradas imediatamente. Precisamos ser felizes agora e não depois do café. Isso realmente existe ou alguém está tentando nos enganar?

Os autores de Best Sellers são especialistas na arte de tapear o leitor desavisado, pois desenvolvem enredos pífios (muitas vezes absurdos) ao passo que vão soltando curiosidades de culturas distantes da nossa (como num circo) informações históricas, científicas, pensamentos filosóficos, reflexões de autores consagrados, etc, enfim, eles fazem uma colcha de retalhos com tudo o que já foi escrito com mais competência reflexiva antes deles e tentam vender a idéia de que estamos aprendendo alguma coisa nova com aquela leitura, que aquilo ali não é só entretenimento, pois há uma “mensagem” por trás daquele discurso (!?).

Ontem assisti a uma palestra de um poeta e professor de filosofia que disse que estamos numa época em que a preguiça prevalece. Por que vou ler o livro se posso ver o filme? Filme longo? Deixa pra lá. Livro de quinhentas páginas então nem se fala. Preferimos, portanto, segundo ele, as respostas rápidas que façam sarar as feridas desse mundo doente. Sim, o poeta falou sobre aparentemente estarmos todos enfermos, por exemplo, nós vamos ao cabeleireiro apenas para cortar o cabelo, mas chegando lá nos é oferecido massagem, pois estamos sempre com dores, estamos sempre sofrendo. Vamos à livraria para comprar um livro de literatura, mas eles nos oferecem livros de auto-ajuda, pois nós precisamos de respostas, precisamos nos salvar de nós mesmos. A sufocante necessidade da cura imediata.  O poeta ainda falou sobre a igreja do “Vai que dá certo?”, a vida está uma merda e eu tenho preguiça de encará-la, talvez tenha medo de enfrentar os meus problemas, então eu vou a uma igreja qualquer, mesmo não acreditando muito naquilo tudo e tento encontrar as respostas que necessito, talvez não dê em nada, mas sei lá, vai que dá certo?

Enfim, eu fiquei encucado com essa história de um filme ter a obrigatoriedade de “passar” (eta verbinho maldito) uma mensagem, mas também não consegui argumentar contra. No fim das contas pensei que talvez estivesse apenas implicando com a escolha do verbo (odeio quando dizem “não entendi o que você quis passar com aquele texto”, ora, não quero “passar” nada pra ninguém, pretendo apenas que as pessoas leiam e sintam alguma coisa, que pensem sobre aquilo e às vezes funciona, às vezes não, dependendo geralmente da minha (in)competência), talvez seja uma contradição minha, pois na verdade eu gosto que um filme me faça pensar sobre a vida (creio até que essa seja a sua função). E aí, se um filme instiga a reflexão é porque contém lições? É porque passa mensagens?

Foi então que, por um desses milagres que a literatura nos proporciona, que eu sem querer encontrei um argumento iluminado que talvez esclareça essa questão. Ele está no conto “Quando uma Mulher envelhece” do sul-africano ganhador do Nobel de Literatura J. M. Coetzze, publicado na revistaArte e Letra: estórias” (não conhece? Clique aqui). Segue o trecho:

 

“...o que você produziu como escritora não apenas tem uma beleza própria – uma beleza específica, reconhecida, não é poesia, mas beleza de qualquer maneira, forma, clareza, economia – como também mudou a vida de outros, tornou-os melhores seres humanos, ou ligeiramente melhores. Não sou só eu que digo isso. Outras pessoas também o dizem, estranhos. Para mim, cara a cara. Não porque o que você escreveu contenha lições, mas porque é uma lição

“Como o esquiador, você diz.”

“Eu não sei quem é o esquiador.”

“O esquiador ou o mosquito de perna longa. Um inseto. O esquiador pensa que está apenas buscando comida, quando na verdade seus movimentos traçam na superfície do lago, repetidas vezes, a mais bonita das palavras, o nome de Deus. Os movimentos da caneta no papel traçam o nome de Deus, como você, olhando de um ponto afastado, pode ver, mas eu não”.

 

Sejamos francos, esse Coetzze sabe como “passar uma mensagem” né?



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 14h08
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MEU IRMÃO É FILHO ÚNICO

Já escrevi aqui que não sou muito chegado a filmes italianos. É um trauma pós-Amarcord que talvez exija uma reeducação cinematográfica para ser superado, pois por enquanto ele persiste, tanto que fui assistir Meu irmão é filho único já com o pensamento preconceituoso de que seria uma coisa meio entediante e que eu não entenderia direito. Confesso ainda que acabei entrando na sessão por ser a única de língua estrangeira naquele horário (e também pelo título, vai dizer que ele não desperta a curiosidade?), pois eu não tinha nenhuma referência anterior sobre o filme. E não é que fui surpreendido por esse ótimo trabalho do diretor Daniele Luchetti!! Gostei bastante e até me emocionei em alguns momentos com essa bela história sobre amor e política.

Meu irmão é filho único segue a narrativa típica de um romance de formação, contando cerca de 15 anos da vida do protagonista. No início, em uma pequena cidade da Itália, nos anos 60, somos apresentados ao pequeno Accio um jovem seminarista que não consegue se enquadrar à doutrina opressiva da instituição, que acaba abandonando o seminário para estudar latim e se dedicar ao engajamento político (aliás, o seu interesse pelo Latim como forma de diferenciá-lo dos demais, me fez lembrar Julian Sorel, protagonista de O vermelho e o Negro de Stendhal, meu mais recente “livro favorito”, que utilizava seu enorme conhecimento da bíblia para conquistar todo o poder que ambiciona).

O tempo passa e conhecemos Accio melhor. Ele é o típico cara “do contra”, sua família é de operários, o pai e o irmão mais velho trabalham em uma fábrica e estão ligados aos movimentos sindicalistas, enquanto que ele prefere seguir os preceitos do fascismo. A princípio me parece que este posicionamento se dá muito mais pelo seu desejo de provocar ou chocar os outros do que para defender suas verdadeiras opiniões (pois como todo jovem, seu espírito ainda está em desenvolvimento).

 É interessante observar as contradições de um sujeito que valoriza tanto o pensamento (embora seja rebelde, ele é bastante estudioso), mas que simpatiza com um regime que defende a fé mística num herói, na força, em detrimento da razão e que, portanto, repudia o intelectualismo e o pensamento crítico. Talvez o aspecto revolto de sua personalidade seja apenas uma maneira de responder às castrações impostas pelo pai. É nesse confronto de ideologias (fascismo x comunismo, filho x família, fazendo referência à boa sacada do título) que o filme tem seus momentos de alívio cômico/dramático e onde também são construídas as críticas políticas que retomam o passado recente da Itália.

Há ainda um relacionamento amoroso, mas que não chega a ser o destaque da história (não se engane com a chamada do cartaz “Dois irmãos que discordam sobre tudo, menos sobre o amor de uma mulher” que sugere uma historinha de conflitos amorosos, pois não é bem disso que o filme trata).

Meu irmão é filho único é um filme sensível e comovente sobre o relacionamento entre irmãos num país que – como o Brasil, por exemplo - ainda respira um passado de contradições políticas e ideológicas.

 

                       

 



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 10h50
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O NEVOEIRO

ADAPTAÇÃO DA OBRA DE STEPHEN KING

As adaptações cinematográficas das obras de Stephen King geralmente seguem um padrão radical, ou são muito ruins (O Apanhador de Sonhos, Chamas da Vingança, Montado na bala) ou são muito boas (O Aprendiz, Conta Comigo, O Iluminado, etc). Lançado recentemente, O Nevoeiro felizmente se enquadra na segunda categoria. Isso se dá graças à mão do diretor Frank Darabont, responsável pelos excelentes À Espera de um Milagre e Um Sonho de Liberdade (ambos de King).

Os livros de Stephen King são recheados de fenômenos sobrenaturais, monstros apavorantes, crianças assassinas, palhaços macabros, etc. Isso tudo somado ao sucesso de vendas (geralmente as livrarias reservam uma ou mais prateleiras só para as suas obras, algo bem raro no meio literário) faz com ele seja facilmente confundido como um escritor superficial, como apenas mais um autor de Best Sellers. 

De fato em alguns momentos a literatura do autor segue um ritmo alucinante de literatura de massa, daqueles livros que não te dão nem tempo para parar e pensar um pouco. Mas numa leitura mais cuidadosa, podemos perceber que esse circo de horrores criado pela mente insana do escritor não passa de uma alegoria do absurdo que é a vida real, suas histórias estão repletas de metáforas que visam aprofundar o olhar para o que há de mais humano em todos nós, o medo.

Darabont sabe como ninguém captar essas leituras das camadas mais profundas da obra do mestre do suspense. Em O Nevoeiro (baseado em um dos contos do livro Tripulação de Esqueletos), os habitantes de uma pacata cidade se vêem diante de uma forte tempestade onde telhados são destruídos e árvores enormes são derrubadas, deixando a cidade às escuras.  No dia seguinte, após conferir os estragos da noite anterior um pintor vivido por Thomas Jane (em boa atuação) resolve ir ao supermercado com seu filho pequeno para comprar mantimentos.

Praticamente toda a trama se passa dentro do supermercado. Clientes e funcionários ficam isolados, pois de uma hora para outra um forte nevoeiro toma conta da cidade, não sendo possível enxergar nada a meio metro de distância do lado de fora. Algumas pessoas tentar ir embora, mas são atacadas por alguma coisa que não conseguimos ver. Só ouvimos os gritos desesperados.

A grande sacada do filme é essa, explorar o medo de algo que não se pode ver ou mesmo compreender. O conto foi escrito nos anos 80, mas permanece absurdamente atual nesses tempos em que tanto se discute o medo do terrorismo e a paranóia norte-americana. O Nevoeiro não explora o que está do lado de fora e sim a complexidade do lado de dentro do supermercado, o que ele discute é o comportamento das pessoas que diante de situações extremas acabam se tornando tão assustadoras quanto um monstro cheio de tentáculos.

O clima de suspense é conduzido com maestria, privilegiando sempre a construção gradual do clima de tensão, sem muita pressa (e sem muitos apelos a efeitos sonoros ensurdecedores) até chegar ao clímax perturbador. Geralmente os filmes de suspense são recheados de clichês que procuram deixar armadilhas para que o espectador leve o susto. E o cinema americano adora repeti-los até a exaustão (até O nevoeiro não foge à regra, por exemplo, cenas com pessoas andando no escuro, tentando fazer silêncio para que o “inimigo” não os veja e então um idiota tropeça em alguma coisa barulhenta fazendo todo mundo pular da poltrona. Essa velha né?). Por isso é interessante ver a originalidade do diretor em cenas como a da corda, na qual praticamente não vemos nada e ficamos perturbados apenas com o movimento dela sendo puxada por alguma coisa assustadora.

 

                     

 

            O filme ainda discute a relação entre o medo e a fé. Um dos personagens comenta que quanto maior for o medo de uma pessoa, maior será a sua crença na salvação divina. E é com base nessa afirmação que uma fanática religiosa, interpretada brilhantemente pela atriz Marcia Gay Harden, vai se destacando gradualmente, pois a cada novo fato inexplicável seu rebanho de fiéis vai aumentando, gerando situações que se aproximam da insanidade completa. Essa falta de controle ou impossibilidade de convívio em sociedade é a metáfora que mais se aproxima da nossa realidade e, portanto é o que mais assusta. Como o homem se comporta quando não há mais regras e não resta mais esperança?

            Outro aspecto positivo do filme foram as alterações feitas em relação ao texto original. É um fato raro, mas dá para afirma que nesse caso o filme é melhor que o livro (conto). Pois alguns trechos desnecessários foram retirados (como o improvável romance entre o protagonista e uma das clientes do mercado) e, principalmente a mudança no desfecho. O final do Conto é ótimo, mas o final do filme é espetacular! Talvez seja um dos finais mais corajosos do cinema recente, há muito tempo não via algo tão impactante! Ah que vontade contar... Vá logo ao cinema e depois a gente conversa!

 

                 



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 11h20
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MATRIX E AS ELEIÇÕES

O ano eleitoral é um ano em que podemos observar que a teoria do filme Matrix está certa: o mundo em que vivemos não passa de um programa de computador que simula uma realidade virtual (aliás, diga-se de passagem, que essa é uma simulaçãozinha bem capenga, pois poderiam ter inventado um mundo mais legal, onde não houvesse câncer de próstata e cerveja não nos criasse barriga). Enfim, tudo isso aqui foi criado por um nerd chamado Arquiteto (um parente bem próximo de Deus. É que o Todo Criador ainda não sabia mexer nas planilhas do Excel e teve que terceirizar o serviço) para que nós não enxergássemos a realidade tal como ela é.

Pois bem, o nosso amigo Laurence Fishburne, vulgo Morfeu, não entregou aquela pílula da verdade apenas para o Neo, ou até entregou, mas provavelmente teve alguém que pirateou achando que era LSD e a espalhou por aí, assim como aconteceu com o devedê do Tropa de Elite.  Só sei que acho bastante difícil que alguém ainda acredite nessa realidade virtual difundida pelos nossos candidatos, na qual todos eles são honestos e sempre (?!) trabalharam pelo bem do povo e do município, todos realizarão obras fundamentais para o desenvolvimento social, priorizando sempre a saúde e a educação.

Ok, não são tempos de grande sabedoria, mas não temos como negar que pelo menos vivemos na Era da Informação (e bota informação nisso, hoje, por exemplo, fique sabendo que a atriz Ashley Tisdale foi flagrada no pedicure!! Incrível, não? O que seria da humanidade sem esse tipo de imprensa?). Se através dos meios de comunicação nós ficamos sabendo até que duas atrizes famosas foram para uma festa com o mesmo vestido, é lógico que também podemos ficar sabendo que essa conversa fiada que os políticos andam tentando nos vender não passa de uma realidade virtual que eles criaram para se dar bem, afinal o marketingnismo é a religião do futuro. É mais ou menos como um autismo auto-induzido, os caras criam uma bolha e ficam lá dentro, te chamando feito um Willie Wonca, maligno, prometendo as maravilhas da Fantástica Fábrica de Chocolate e dizendo que o mundo é perfeito, aliás, que ainda não é perfeito, mas que se eles forem eleitos... E essa bolha só estoura depois do dia cinco de outubro.

A descrença generalizada na política pode até não ser boa, pois prejudica as possibilidades de mudança e avanços da sociedade através da democracia (que não é lá um regime perfeito, mas pelo menos até agora não tive notícia de alternativa melhor), mas também não dá pra negar que esse ceticismo também trouxe benefícios. Veja só, a crença popular de que “as aparências enganam” já caiu por terra há muito tempo, pois com tanto escândalo bombando na mídia, só mesmo um imbecil para não perceber que as aparências são apenas isso, aparências. Se um cara tem necessidade compulsiva de reafirmar o tempo todo que é honesto, que tudo está errado, que ele vai fazer o melhor, etc, provavelmente esteja omitindo informações completamente opostas e provavelmente você perceba isso sem precisar de muito esforço.

 

                       

Os sábios filósofos contratados pela Coca-Cola desmascararam toda essa palhaçada quando lançaram a campanha publicitária da Sprite que tinha como slogan “Imagem não é nada, sede é tudo” (e isso também explica o interesse do homem no suco de cevada independentemente das supostas metamorfoses geradas na região abdominal do indivíduo). Até então, os estudiosos e pesquisadores achavam que quaisquer estímulos áudios-visuais convenceriam os nervos ópticos e, por conseguinte o cérebro de que aquilo se tratava da realidade (e isso acorre até os dias de hoje, quando, por exemplo, vemos pessoas que crêem que a Joelma é uma cantora e que a Mulher Melancia existe de verdade).

Mas é fato que a Matrix possui algumas falhas, as quais são mais perceptíveis nas propagandas eleitorais daqueles candidatos mais desprovidos de recursos financeiros (e também de um pouco de bom senso), que seguem o padrão marqueteiro infalível de “Nome próprio + local de trabalho”, tipo “Toninho da farmácia”, “Clédison da Oficina”, “Maricleide da Cantina”, “Walmor do Hot-Dog”, “Marinilda da Lanchonete”, etc. São casos em que a aparência já é uma coisa meio trágica, então é melhor nem imaginar a realidade! É o tipo de humor involuntário que faz com que o eleitor desconfie de que está metido em algum sistema operacional pirateado e reflita mais uma vez sobre filosofia proposta pela Sprite.  

Mas nem tudo está perdido, nós já estamos ficando mais atentos aos avanços da nossa época. Depois de muitos estudos, nós elevamos a nossa inteligência e desenvolvemos melhor o nosso senso crítico. Alcançamos, portanto o grau máximo de nossa esperteza. Prova disso é que agora nós estamos até pedindo dentadura para um candidato e votando em outro!! O que é um forte sinal de evolução da nossa espécie. Pois é senhores macacos, é melhor vocês ficarem atentos, pois nós já estamos chegando!



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 14h13
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OUTRAS PUBLICAÇÕES

A partir de hoje colaborarei com alguns textos críticos sobre cinema (e alguns sobre literatura) no site www.dropsdeanis.org. Essa parceria surgiu após a viagem para Gramado, onde conheci o Café (diretor do site), estudante de cinema lá da Bahia, que também foi jurado no festival. Ele e alguns de seus amigos mantêm esse site muito bacana com críticas cinematográficas, informações sobre lançamentos de filmes, trailers, etc. Espero que vocês visitem (e gostem) do site.

 

Meu primeiro texto publicado lá é sobre o filme Chega de Saudade, da diretora Laís Bodanzky  (para ler o texto clique aqui).

 

                                                   



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 14h07
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O TELEFONEMA

Fonte

            Sentado em um banco da Praça Osório, não por gosto, mas por simples repetição de gesto, o velho aguarda. Sente a gastura que é perceber o tempo, pois quando o tempo é observado fica tímido e se esconde atrás das árvores, não passa. Esquecido dentro de um velho terno feito sob medida - medidas que um dia lhe foram confortáveis - o velho pousa os olhos sobre as pombas que caminham, com peitos estufados, de um lado para outro, exibindo a pompa otimista que só as aves podem ostentar, afinal, as opções de direção e a leveza do vôo a elas pertence. Ao velho encolhido no banco, resta a memória. Ele sabe que a vida é a constante espera por algo que na verdade já passou. 

            Quando soa o primeiro toque do telefone público o velho sente no peito a alegria de algo que ainda não envelheceu, algo que de tão bom parece que logo vai acabar. Uma sensação boa que ele procura prolongar ao caminhar sem pressa até o fone engordurado. Alô?Alô! Fica mudo. Fone no gancho, o velho volta ao banco. A praça vai ficando vazia.

Todos os dias o telefone toca no mesmo horário. Todos os dias o velho está lá para atender. Todos os dias o silêncio do outro lado da linha.

Ele recorda os momentos vividos naquela mesma praça, mas não naquela mesma Curitiba. Cores e perfumes teciam enredos um pouco borrados nos cantos da lembrança. Mas alguma fração da esposa ainda está lá: as mãos, os olhos e o sorriso cheio de promessas estão nítidos como em uma foto recente. Pensa que se realmente Deus existiu foi Ele o fotógrafo que captou aquele instante.

Que jamais o deixaria; que de alguma forma sempre se faria presente ao seu lado; que construiriam uma eternidade através de signos e sonhos. As palavras da mulher que tanto amou era o que lhe restava como promessa de salvação e que também serviam-lhe como remédio contra a insanidade, pois que o silêncio dos outros, mais do que o apartamento vazio ou a praça tão fria, o enclausurava num calabouço pintado de solidão e loucura.

  O velho aguarda. Procura na paisagem da Boca Maldita algum elemento ainda inédito, uma pedra fora do lugar, um mendigo no banco errado, algum piazinho nadando no chafariz, um personagem desconhecido que seja, mas o dia que desfila à sua frente é sempre o dia de ontem.

O telefone público mais uma vez rompe o silêncio, toca sua sinfonia e o resgata daquela consciência circular. O velho não cabe em si de felicidade e já se delicia ao imaginar o silêncio do outro lado da linha. Sonha todos os dias com aquele silêncio que ele sabe ser tão maior do que apenas uma ausência de som.

Mas dessa vez ele diminui o passo - talvez alegria demasiada - o aperto no peito faz escurecer o redor. O toque do telefone vai se tornando música distante. Uma mulher se aproxima, tudo bem? Música cada vez mais distante. Ele ajoelha-se, tenta dizer alguma coisa, mas a voz já não sai. Cada vez mais distante. Que está contente, ele quer contar. Mais distante. Que felicidade é triste assim mesmo; as mãos, os olhos, o sorriso cheio de promessas. Música distante. Que tudo fosse como antes. Distantes... A mulher corre até o telefone e liga para a emergência. As pombas aglomeram-se em torno de um punhado de pipoca que alguém acabou de jogar.



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 17h41
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HORIZONTE

 

O desenho do seu rosto é agora uma figura distorcida. Impressões imprecisas insuportáveis. Entre o bailar de névoas e poeiras adensadas pelo tempo, transito pela vida e esbarro nos móveis, bato os dedos nas quinas, quebro as porcelanas, tropeço nos livros espalhados pelo assoalho. Perdido entre existências e objetos deslocados.

Vejo o novo horizonte plano, feito o cartaz de um filme colado à parede. A imagem insinua profundidade, sugere um enredo, mas não passa de um truque para comprar os meus olhos. Penso que talvez a realidade esteja contida na cola seca que se afixa atrás desse cartaz, talvez esteja contida nos tijolos que exercitam unidos a estagnação tentando sobreviver ao tempo, talvez esteja contida em tudo que trespassa a pouca fé que me restou.

Meu corpo colide contra essa parede na vã expectativa de atravessar a imagem do cartaz e as dores que acordam meus ossos nada sugerem além da sensação de falência dos dias.

Então não há para onde ir, os escombros da nossa história impedem o meu caminho, formando um mapa confuso, que não aponta rumos, diante do qual eu percebo que não mais domino a geografia do nosso passado. Atravessávamos paredes, lembra? Era tão mais simples com você me guiando. Como éramos? Cerro os olhos e com pálpebras e pás escavo as lembranças, os eixos, os sexos. Onde estará o seu rosto?

Grito algum tipo de saudade ou de dor, mas o seu nome agora soa palavra desconhecida. São sílabas se esfarelando a cada novo eco incompleto que retorna à beira de mim. Nossa história aos poucos vai se tornando um sussurro surdo solto sem ninguém para ouvir.



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 14h54
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O FESTIVAL CHEGOU AO FIM

Júri Popular do Festival de Gramado de 2008

 

Foi mais ou menos como em um filme. Estavam lá vários personagens, alguns interessantes, outros nem tanto. Alguns figurantes buscavam o enquadramento que melhor os destacassem. Já outros evitavam o excesso de holofotes e permaneciam ocultos no cenário serrano que tanto inspirava a introspecção. Estavam concentrados num íntimo momento de contemplação de duas belezas, as naturais da terra gaúcha e as inventadas na telona. Estavam ali pela arte, a sétima de todas as artes.

 

                                    

                                              Pousada Sossego do Major, onde ficamos hospedados

 

Acordar e dormir vivendo o cinema, respirando-o, reinventando-o, abraçando-o, discutindo-o... A primeira palavra a surgir como definição para o que significou esses sete dias é “inesquecível”, mas creio que a palavra que melhor pinta o retrato do que foi essa viagem à Gramado é “Revigorante”. Não pelas férias que tiramos da vida comum, não pelas mordomias, não pelo turismo ou pela badalação e sim pelos valores adquiridos nessa experiência.

Estive em contato com culturas, opiniões, comportamentos, crenças, completamente diferentes do meu mundo. Assisti a filmes bons (e ruins, é claro), mas, sobretudo, conheci pessoas que de alguma forma mudaram a minha forma de ver cinema e talvez até a minha forma de encarar a vida. Como ser a mesma pessoa depois de experiências tão intensas? Nesse sentido eu acredito que essa semana tenha sido revigorante, pois ela me emprestou novo fôlego, novas expectativas, novas percepções para o que eu espero do futuro.

 

                                     

                                                         Kléber (Rio Grande do Norte), eu e o Dr. Gilvan (Acre)

                                                          Chimarrão para ficarmos acordados durante os filmes

 

Quando terminei a faculdade eu percebi que não sabia praticamente nada sobre literatura, que o volume das minhas leituras estava a quilômetros de distância do ideal; que minhas produções não passavam (e não passam) de um exercício, de uma tentativa de realizar algo que ainda não tomou corpo; que o que escrevo ainda passa longe de algo que possa ser considerado realmente maduro, literariamente falando, mas que sobrevive exatamente por isso, por estar em constante formação, caminhando sempre em direção ao novo traço da palavra, que talvez nunca seja alcançado. Essa consciência de que cada vez mais nós sabemos cada vez menos, de que o mundo é tão enorme enquanto nós somos tão pequenos é importante para a nossa visão de mundo seja ampliada. Durante o festival foi exatamente isso que aconteceu comigo. Percebi que no fundo sei pouco, quase nada, sobre o cinema, e que essa é uma arte maravilhosa sobre a qual ainda terei que percorrer um longo caminho de aprendizado. E esse não-saber me deixa bastante feliz, pois há um leque enorme de caminhos a serem explorados. E as possibilidades são fascinantes.

O glamour do Festival de Gramado serve apenas para arrecadar dinheiro com turismo e colocar em exposição uma fauna de aficionados por holofotes e pelas futilidades do mundo das celebridades. O tapete vermelho fica ladeado de pessoas interessadas em tudo, menos no cinema, o que é bastante normal. Quem sou eu para condenar a curiosidade alheia?     

A premiação é importante para divulgar os filmes e encaminhá-los para o mercado comercial. A classificação final é questionável, aliás, a própria seleção é questionável. Afinal, como classificar um filme? Pesa mais a qualidade ou a possibilidade de venda? O que importa mais, a técnica, o sentimento, a reflexão? Em meio a visões de mundo tão diferentes, que critérios utilizar para afirmar que esse é melhor do que aquele? Não cheguei a nenhuma resposta que dê conta disso de maneira justa, creio que o mais bacana seja mesmo questionar, debater, etc. Para fugir da confusão, nada como a classificação não-intelectual: “esse é bom” e “esse não é bom”. Pensando assim, dá pra dizer que os filmes a que assisti fora da competição (havia uma mostra de filmes que eram exibidos no período da tarde) me agradaram um pouco mais do que os filmes concorrentes. A decisão final do nosso júri me agradou (Melhor filme brasileiro: “A festa da menina morta”. Melhor filme estrangeiro “Por sus próprios ojos”) e futuramente escreverei sobre cada um deles aqui no blog.

 

                           

                                Eu e a estrela do Júri Popular, Dona Anette (cinéfila famosa nos festivais de São paulo)

 

Agora, com o fim do festival, já resta um gostinho de nostalgia, de certa saudade de tudo o que vivemos nesses dias. Assistir a tantos filmes em tão pouco tempo foi legal, mas, para mim, o que realmente importou nisso tudo foi ter conhecido os outros 13 jurados, cada um deles representando uma parte do Brasil. E descobrir o Brasil através dos olhos dessas pessoas foi a grande experiência que tive como aprendizado, pois achei fantástico conviver com gente tão diferente, com histórias de vida tão distantes da minha, com idéias tão opostas, e ao mesmo tempo todas elas tão ligadas pela mesma paixão, o cinema.

 

                                     

                                            Jurados se preparando para mais uma maratona de filmes

 

Dona Anette (São Paulo), Marcelo (Caxias), Café (Bahia), Jorge (Pernambuco), Mirian (Gramado), Mariana (Porto Alegre), Adilson (Canela), Valéria (Rio), Solange (Minas), Kleber (Rio grande do Norte), Dr. Gilvan (Acre), Gládys (Pará) e Xarão (Porto Alegre).

Galera, foi um prazer enorme conhecer cada um de vocês!

 

                                     

 

Agora chega de glamour. Nos próximos dias o Devaneios do Cotidiano voltará ao pseudo-expediente normal, com os contos e os comentários a respeito dos filmes.

 

Até mais.



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 14h26
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DIÁRIO DE GRAMADO – PARTE 2

 

 

Já estamos nos aproximando da metade do festival., até agora os filmes apresentados foram o argentino “POR SUS PROPIOS OJOS” sobre mulheres que visitam penitenciárias, “VINGANÇA” sobre um estupro, “MINDELO - ATRÁS DE HORIZONTE” um documentário sobre Cabo Verde, “NETTO E O DOMADOR DE CAVALOS” sobre a revolução farroupilha. É muito complicado assistir a tantos filmes e não poder comentar sobre eles, mas (fingindo que ninguém está lendo) dá pra dizer que até aqui a qualidade dos filmes tem sido um tanto quanto decepcionante. Mas ainda faltam bastantes filmes, deve haver um holofote no fim do túnel.

 

Percebe-se com a escolha dos filmes que houve bastante preocupação em trazer filmes que façam referência ao Rio Grande do Sul, ok, o festival é aqui, valorizar a própria terra faz parte. O problema é que alguns filmes utilizam as referências gaúchas de maneira patética (quando eu puder, comentarei mais a respeito disso), mas digamos que alguns sotaques viraram motivo de piada entre o público.

 

Fora isso, também é interessante perceber que alguns filmes vêm com espírito de torcida de futebol, então é comum ver algumas pessoas aplaudindo em pé durante um longo tempo, um filme de qualidade bem questionável. Percebi que marketing é tudo aqui em Gramado.

 

As sub-celebridades estão espalhadas para todo canto, o que gera um tumulto diário na entrada do palácio de festivais de gente procurando uma bebida grátis e com direito a tirar fotos com um monte de “artistas” (ok, estou incluso no meio da galera do vinho). Até aqui, percebi que a sigla Vip’s, não é pra pessoas assim tão importantes, pois até eu estou lá fazendo volume entra a massa de “fãs involuntários” dos ex-bbb’s, das atrizes de novela que nunca assisti, modelos que não conheço, etc.

Há tantas sub-celebridades aqui, que segunda-feira, quando fomos tirar as fotos oficiais do júri (essa aí em cima), as pessoas nas grades ficavam tirando fotos e perguntando em que filmes nós trabalhávamos. Além de ser um mico impagável, passar pelo tapete vermelho (já falei que ele é muito brega?), tem sido bastante engraçado.

 

Mas há artistas de verdade em Gramado. Ontem nós jurados fomos almoçar com o homenageado da noite Walmor Chagas (Quê? Não você conhece? Vá procurar no google), grande ícone do cinema nacional (e do teatro também, segundo uma das juradas aqui no hotel, é dele também uma das mais belas representações do clássico de Samuel Backett, Esperando Godot). Fomos a um restaurante belíssimo na serra que vai para Canela, na verdade é um resort em estílo rústico, tudo muito chique, muito pomposo, ou seja, nada muito natural ou descontraído. Mas foi interessante almoçar em meio a um bocado de atores globais, que assim de perto parecem seres humanos mais do que comuns.

 

Sim, está bastante frio aqui, ontem choveu bastante e atrapalhou um pouco a nossa movimentação (estamos fazendo um tour por todos os restaurantes da cidade, serão sete dias, o objetivo é fazer cada refeição num restaurante diferente. Já descobri que não gosto muito de de restaurante francês). Mas hoje amanheceu o céu aberto, que aqui pelas bandas do sul, não sei por que, parece ser muito mais bonito.

 

Pois bem, fiquei aqui escrevendo um monte de porcaria não por ser fútil ok? É que realmente não posso escreve sobre os filmes (guardo a munição para depois).

 

É isso, até logo.



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 10h10
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DIÁRIO DE GRAMADO - PARTE1

O festival começou com tudo o que tem direito: multidão, tapete vemelho (bem cafona, mas tudo bem), orquestra (tocando Madonna!! Já imaginou "Like a Vigin" no violino? Muito legal), celebridades instantâneas, gente querendo aparecer (uma mullher apareceu na primeira sessão com um cachorro no colo!), ex-bbb's, atores de verdade, diretores de cinema, documentaristas, enfim, um balaio muito louco que faz o Festival de Gramado ser um dos mais importantes do Brasil.

Ainda não posso falar sobre os filmes, mas basta dizer que o primeiro deles "Nome próprio" provavelmente garanta o prêmio de melhor atriz para a Leandra Leal (com quem eu acabei de tirar uma foto, sabe como é né, não dá pra evitar a tietagem rs)

A coisa mais bacana que aconteceu até agora, foi conhecer os outros 13 jurados, pois cada um deles é de um estado diferente. Tem um jurado aqui que é do Acre! A troca de experiências tem sido fantástica, todos são apaixonados por cinema, alguns até trabalham na área e estão aqui vivenciando esse momento mágico nessa cidade linda!

Desculpem o post meio tosco, mas é que estou escrevendo aqui do hotel (que aliás fica no meio da serra gaúcha, um lugar incrível) e tenho que liberar o computador para os outros usarem.

Até logo, assim que eu puder eu retorno com novidades.



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 17h55
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TEXTO PUBLICADO NO BLOG “DEVANEIOS DO COTIDIANO” VENCE CONCURSO DO JORNAL “GAZETA DO POVO” E GARANTE PARTICIPAÇÃO NO FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO

 

 

            É com grande alegria que informo que fui vencedor do concurso de crítica cinematográfica realizado pelo Jornal Gazeta do Povo para escolher um representante local que fará parte do júri popular do Festival de Gramado!

            A proposta do concurso era escrever uma crítica de até 2 mil caracteres, tendo como opção de análise os filmes Tropa de Elite, Estômago ou Cheiro do Ralo. Escrevi dois textos (adaptação de comentários sobre filmes já publicados aqui neste blog) e os enviei na semana passada. Felizmente a minha crítica a respeito do filme “Estômago” sagrou-se vencedora.

            O prêmio é uma viagem para Gramado/RS com todas as despesas pagas durante uma semana, com a oportunidade de assistir a todos os filmes da mostra e ainda participar do júri popular!! O festival acontecerá entre 10 e 16 de Agosto.

            Segundo as regras eu não poderei comentar nada sobre os filmes até o término do festival, portanto é provável que este blog fique um pouco abandonado durante algum tempo (conforme a disponibilidade de acesso à internet que terei por lá, eu farei algumas atualizações a respeito das curiosidades da viagem).

           A edição da Gazeta do Povo deste domingo 03/08/08 fez o anuncio da vitória no Caderno G (Para ler a matéria completa clique aqui).

                            

           Não que isso seja um concurso de miss ou o programa da Xuxa, mas é que fiquei tão feliz que agora aproveito a oportunidade para agradecer aos leitores do “Devaneios do Codidiano” por todas as visitas feitas a este blog. Essa conquista só ocorreu porque tive a oportunidade de exercitar meu texto durante algum tempo e, principalmente, porque tive alguém aí do outro lado interessado nas coisas que eu tinha a dizer.

Obrigado aos meus grandes amigos que ainda botam fé no que escrevo e sempre me incentivam (principalmente quando estamos bêbados rsrs) então, Véio, Junior, Herick, Edi, Rutinha, Fabinho, Drica, Carla, Elispâmela, Zil, Valerinha, Katy, Keila, Paty, Márcia, Heder, valeu mesmo, cada um de vocês acrescentou algo de valor à minha vida, embora talvez eu não demonstre da maneira correta, saibam que a amizade de vocês é muito importante para mim. Obrigado aos colegas e professores da Facul e da Pós (Nelson, Galli, Eunice, Ana, Rosana, Norberto, Thais, Neyde, Cíntia, Fabiano, Joyce, Chicão, Gi, Clau, Jully, Vivi, Sargento, Léo, Valter, Adri, Rô, Carol, Edinho e toda a galera que eu esqueci de citar, pois sou um lerdo, sorry, ufa...) que também leram os textos, deram uma força e ainda ajudaram a divulgar o blog. Agradeço também todo mundo que eu não conheço pessoalmente, que são de outras cidades e estados e que visitam o “Devaneios do Cotidiano” com regularidade, você todos são muito bem vindos!

Pensei em terminar desejando o fim da fome na África e a Paz Mundial, mas aí já seria muito clichê rs.

Até logo...

                                                     



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 10h51
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R$ 1,96

 

            Ao passar pelo corredor de produtos de limpeza ele procurou estabelecer os critérios para que a ação se desse de maneira segura. Não pretendia sair dali com uma bala no intestino, mas também não pretendia sair de mãos abanando. Concluiu que esconder a caixa de leite na jaqueta, embora fosse o recurso mais do que óbvio, era a opção ideal, pois jamais o segurança iria abordar um trabalhador como ele, ainda mais um cliente antigo.

            Comprou cinco pães para disfarçar a situação e sentiu o suor transbordar o seu pavor através de cada poro quando a menina do caixa chamou a gerente. Nos trinta segundos seguintes ele visualizou sua dignidade sendo pisoteada na lama, a esposa apontando o dedo para sua vergonha com cara de ‘eu já sabia’, o filho querendo descer do seu colo em dia de visita na cadeia, dois estranhos. Digitei o valor errado, pode desbloquear a registradora pra mim? Deu sorte dessa vez. A sensação de alívio cegou-lhe e quando achou-se em si novamente deu continuidade ao plano. Entrou no boteco do outro lado da rua.

            O troco do pão sobre o balcão, me vê tudo de pinga. Virou de uma vez e sentiu o líquido se agarrar com unhas de fogo nas paredes da garganta. A alma-ardente revolveu-lhe o estômago e devolveu-lhe uma réstia de sanidade, talvez o resquício de um caráter envelhecido, desses que vão rareando conforme as tardes se firmam como dia ruim, mês ruim, ano ruim. Tanta vida adiante, ainda.

            Procurou desviar a atenção de seus pensamentos para outro objeto que não o seu cotidiano oco. Girou o copo americano, mas a textura trabalhada deste em contraste com a luz que avançava pela porta reproduziu uma perspectiva caleidoscópica naqueles reflexos que repetiam várias vezes o mesmo rosto com a barba por fazer. Encontrar-se tantas vezes só fez doer seu coração, pois que esperava mais de si mesmo e de sua vida. Mas naquele momento já não era possível ignorar o volume em sua jaqueta; a esposa indignada que tanto ralhou para lhe dar o dinheiro; o filho esperando sua chegada, talvez até chorando de fome? Ah, maldito seja o criador disso tudo, que tipo de clichê imbecil fui me enfiar?

            Abandonou o copo e saiu do boteco já meio de lado sentindo a cabeça zonzear. Diabos, almoçara ontem ou hoje? Atravessou a rua pensando em como explicaria à esposa o que tinha feito com o troco do pão. De qualquer forma ele poderia ir para cama sem nada falar, como de costume, mas aí perderia o jantar. Quando alcançou a calçada ouviu alguém chamá-lo. Era o segurança do mercado.

            Imaginou a caixa de leite caindo no chão e explodindo, o líquido branco aos poucos sendo absorvido, a lama avançando sob seus pés.



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 11h10
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EM BELÍSSIMA HOMENGEM AO CINEMA MUDO, PIXAR PRESENTEIA O PÚBLICO COM UMA OBRA-PRIMA DA ANIMAÇÃO

 

Com Toy Store (1999) a Pixar já mostrou a que veio. Revolucionou o mercado de animações 3D e de quebra conseguiu aliar (de forma inteligente!) tecnologia e texto. Depois disso o cinema nunca mais foi o mesmo (os pobres desenhos em 2D que acabaram ficando desempregados que o digam! Ainda bem que pelo menos os Simpsons resistiram ao tempo bravamente).

A diferença, aliás, a grande diferença é que os personagens criados pelo estúdio não são apenas seres bonitinhos que se movem de maneira engraçada, eles são elementos que reproduzem muito do caráter e da complexidade humana. Os temas que em primeira análise parecem apenas infantis possuem, em seu desenrolar, conflitos de aspecto adulto, como solidão, fracasso, etc. Como exemplo disso posso citar, ainda falando em Toy Store, a cena da máquina de bichinhos de pelúcia, na qual todos são iguais (alienígenas verdes com muitos olhos, repetindo, muitos olhos!!) e aguardam passivamente a chegada de um salvador, a garra de metal que os libertará daquela vida sem sentido (!). É disso que estou falando, infantil e adulto ao mesmo tempo. Ao abrir essas possibilidades de leitura, os roteiros da Pixar acabaram garantindo um conceito de qualidade muito superior aos seus concorrentes e, além disso, ditaram influências estéticas e definiram como seriam as animações a partir dali.

 

                              

 

Quase uma década depois temos o que talvez seja o amadurecimento máximo dessas idéias tão criativas. WALL.E é um solitário robozinho encarregado de recolher e compactar o lixo da Terra. Neste futuro muito provável, o planeta está abandonado e as pilhas de lixo já são maiores que os prédios. Percebe-se já de cara que a humanidade não deu conta de controlar seus exageros, destruiu tudo, não conseguiu reciclar sua própria casa e resolveu abandonar o barco.  Essa visão apocalíptica só é abrandada quando vemos o robô (que possui movimentos recheados de nuances humanas, a profundidade do olhar, por exemplo, algo que gera empatia imediata do público), separar os objetos que são mais interessantes em meio ao lixo numa série de esquetes hilárias.

O desenho praticamente não possui falas, toda a construção do enredo é dada pela trilha sonora (ótima por sinal) e também pelos gestos dos personagens, assim como no cinema mudo. O humor físico não é uma coisa fácil de se fazer, pois corre-se o risco de cair na superficialidade ou mesmo na imbecilidade, assim como vemos nos programas de humor da atualidade como Zorra Total, Casseta e Planeta, etc. Já em WALL.E temos o oposto, é possível perceber a leveza dos movimentos, pois cada um deles foi muito bem pensado e acontecem no momento correto, sem atropelos ou urgências, como se houvesse a coreografia de um balé (aliás, a cena da dança com o extintor certamente ficará para a história, assim como as cenas das vassouras com baldes de água em Fantasia). 

Ao transitar com tanta desenvoltura entre o humor e o drama, percebemos na solidão e nas trapalhadas de WALL.E, uma bela homenagem ao gênio do cinema Charles Chaplin. Estão lá os olhos tristes e ao mesmo tempo enternecedores, a maneira singular de caminhar, o jeito desengonçado de dançar, etc. É ao emprestar características humanas a objetos aparentemente inanimados, e com detalhes tão bem trabalhados, que a animação ganha o público adulto que por ora deixa-se levar pelo encanto do fantástico, da imaginação, da criatividade e da beleza contida nisso tudo.

Há ainda espaço para história de amor, críticas corrosivas à sociedade consumista, defesa de causas ambientais, enfim, um trabalho que inspira inúmeras discussões como toda boa obra-prima deve ser.



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 11h42
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RETICÊNCIA

Penso que os primeiros versos roçaram-lhe o peito feito a chegada de um buquê de rosas numa terça-feira chuvosa. Logo, aguardar a resposta das tuas cartas tornou-se angustiante tortura. Afinal, o que há no não dito? Manda-me beijos quando outrora assinava apenas o primeiro nome! Ou acaso sou isso, um caso? Não, nós não permitiríamos tal redução, pois somos tão maiores que tudo isso. Somos ficção! Sim, aquele livro, aquele filme, que ninguém mais leu, que ninguém mais assistiu, fizeram florescer e depois abortaram o gosto da esperança em minha boca. Ora, sempre aprendo que não aprendi.

Aqui sem você percebo que foram-se o chão e as palavras. Minha língua tornou-se estrangeira, perdida numa gramática mal dormida, pois nessa nossa reticência nós não nos falamos em objeto direto, apenas em verbo de ligação. Ai de mim, um ateu de lábios ágrafos que já esqueceu como se unem as bocas e as orações! Mas tento prometer-te verbos: O mundo te dou; sei que não o tenho. E assim minha mentira torna-se conforto, afeto, falseando a falácia de que amanhã será melhor. Pois bem, assim o amor exibi-se em dor feito linha reta: insinua-se infinito quando já é tarde, quando já sabemos qual é a poesia que fecha a antologia. Então, sobra-me apenas a tua epígrafe na minha pele, desenhada com a fonte que você mesma criou. Promessa, pó.

Há um braço de felicidade que se estende sobre nós quando vemos o mundo pelos os olhos do outro – Atrás dos óculos, seus olhos aconchegantes. A doença é que agora não encontro mais o meu próprio olhar.

E bate-me à porta, quer me ver. Pelo olho mágico vejo a tua saudade respirar ofegante. Sinto tanto a sua falta e tenho tanto a dizer... Giro a chave até o meio e a quebro na fechadura. Corro para a cozinha e depois retorno com o bilhete que rapidamente passo por debaixo da porta. Não me permito te decepcionar, sei que você me prefere por escrito. Mas se pelo menos as palavras ainda existissem...


 

Para receber (ou deixar de receber rsr) um aviso de atualização deste blog, mande um e-mail para eder_ceima@yahoo.com.br



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 08h45
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Olá leitores do Devaneios do Cotidiano

 

Andei verificando a contagem de visitas deste blog e constatei que apesar dos poucos comentários (quase nenhum que pobreza! rsrs), há uma freqüência de cerca de 300 leitores semanalmente, número que me deixa bastante contente.

Tendo em vista que a minha periodicidade de atualização é “devezenquandamente” (a meta é duas vezes por semana, mas está difícil), também levando em conta que eu perdi o controle da minha lista de e-mails e acabei incomodando um bocado de gente que não estava muito a fim de receber meus avisos. Peço por gentileza para que se vocês quiserem ser avisados das atualizações deste blog mandem um e-mail para eder_ceima@yahoo.com.br. Salvarei o nome de vocês na lista e então garanto que toda vez que eu postar um texto novo mandarei na hora um e-mail avisando ok? Sei que esse é um recurso meio de “mendigo pidão”, mas isso funciona muito bem como ferramenta de divulgação, as listas vão se espalhando e como o objetivo é mesmo dominar o mundo...rsrs

Agradeço todo mundo que tem passado por aqui toda semana, valeu mesmo!

 

Segue abaixo a opinião sobre o último filme que assisti.

 

Até mais.

 

Eder



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 10h18
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O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

EXCELENTE, MAS NÃO VÁ AO CINEMA