SOBRE BONDADE E RESPEITO

O Visitante é um filme simples, mas tão envolvente que faz você sair do cinema com o coração pesado e com o velho sentimento de “a vida é uma merda mesmo!”. Os personagens são cativantes, Richard Jenkins, indicado ao Oscar de melhor ator, está perfeito no papel do professor que já não vê muito sentido na vida após a morte de sua mulher (aliás, as tentativas do personagem de recriar a figura da esposa através da música é uma das coisas mais tristes que assisti recentemente) e que descobre uma forma diferente de encarar o mundo quando seu apartamento é “invadido” por imigrantes ilegais. O tema das diferenças raciais e políticas é tratado de maneira inteligente, praticamente uma voadora-com-os-dois-pés na cara da intolerância – é interessante também perceber como a imigração é assunto recorrente no cinema atual, pois, mais do que nunca (como diria o Faustão), a arte tem funcionado como uma tentativa de melhor compreender esse mundo “em crise” no qual vivemos. O Visitante foi uma das raras vezes em que me “vendi ao sistema” e de fato torci para que tudo acabasse bem: o mocinho com a mocinha, beijo ao pôr-do-sol, música subindo... Mas que nada, o diretor Tom McCarthy não é nem um pouco adepto de “teorias” de auto-ajuda desses livros de supermercado, como O segredo ou os “pipoqueiros” de Cabul. Para ele, a vida não vai deixar de se uma bosta só porque você quer muito ou porque você tenta ser bonzinho para com o próximo. “A vida é dura” já dizia o narrador do Cheiro do Ralo, eu acrescento: e ela também não é justa. Nota: 9,0

Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 10h56
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