WOLVERINE E EXTERMINADOR DO FUTURO OU COMO TORRAR MILHÕES DE DÓLARES COM FILMES IDIOTAS .

Para evitar futuras reclamações, aviso já aqui no primeiro parágrafo que nesse texto eu vou comentar o final desses dois filmes (então leia por sua conta e risco ok?). Há dois filões bastante evidentes no atual cinemão americano: as adaptações de quadrinhos e as continuações de filmes que tiveram boa bilheteria. Reflexo óbvio da falta de criatividade dos roteiristas, esse tipo de trabalho é também a prova de que o cinema é encarado pelos grandes produtores, muito mais como um veículo mercadológico/publicitário do que como arte propriamente dita (e quem vai condenar os caras por quererem ganhar dinheiro? Se o público se dispõe a pagar quinze reais para ver uma porcaria dessas (e cá estou eu me incluindo nessa vergonha) por que não repetir a fórmula mais e mais vezes? Dizem que a qualidade do filme é compatível com a qualidade da platéia, eu não duvido...). No hilário Trovão Tropical (lançado recentemente em DVD) o personagem de Ben Stiller estrela um filme de ação ridículo chamado Lança-Chamas, que possui uma, duas, três, quatro continuações praticamente idênticas!! O engraçado é que os falsos trailers dos filmes mostram as mesmas cenas alterando apenas o cenário, uma é na neve, a outra é num vulcão e assim por diante. Pois bem, aquilo era pra ser uma crítica ou apenas uma piada sobre a falta de originalidade, mas parece que teve gente que levou a sério. Prova disso é esse dispensável Exterminador do Futuro: A salvação, a quarta parte da franquia (aliás, essa palavra “franquia” lembra algo do tipo Mac Donalds, nem parece que estou falando de um filme) iniciada por James “Titanic” Cameron e com o musculoso governador da Califórnia no papel-título. Agora a direção mudou para as mãos do desconhecido McG (sim, esse é o nome dele por extenso) e as cenas de ação são estreladas pelo Batman, digo, por Christian Bale, no papel de Jhon Connor (o piazinho rebelde do segundo filme) que agora cresceu e não quer mais largar sua metralhadora. O roteiro é cheio de furos e atropelos (o lema é: não reflita, exploda!). Lógico que um filme não precisa cobrir todas as lacunas, até porque é interessante deixar o espectador raciocinar um pouco. O problema é que somos apresentados a um personagem tido como um tipo de messias, diante do qual todos são subservientes, mas não temos a mínima idéia de como ele conseguiu esse status de Jesus. Dá para imaginar os produtores planejando o roteiro: não, não vamos perder tempo desenvolvendo os personagens, isso não é necessário visto que eles vão morrer na próxima explosão. E o filme é isso mesmo, mais parece uma festa de São João, um amontoado de pirotecnias (todos os cenários, sem exceções são destruídos ao longo do filme) amarradas por uma seqüência vergonhosa de clichês. Vejamos alguns exemplos: mocinho caça o bandido; mocinho tem a oportunidade de matar o bandido, mas resolve não fazê-lo, pois é bonzinho; depois o mocinho se vê em apuros e é salvo por quem? Isso mesmo, pelo bandido; logicamente os dois criam laços que não serão bem vistos pelos demais personagens até que se prove que o bandido não é tão bandido assim. Mas o pior foi deixado para final. Após uma cena absurda em que Jhon Connor é atravessado por uma barra de ferro bem no meio do peito e sai apenas mancando!? Temos que ouvir o bandido que não é mais bandido repetir o chavão “todo mundo merece uma segunda chance” e então se submete a um absurdo transplante de coração seguido de uma música triste no fundo, com narração em off: “O que torna o homem um ser diferente das máquinas é o seu coração”. Pelamordedeus!!

Já X-Men Origens: Wolverine consegue ser menos ruim, mas isso não significa que exista uma luz no fim do túnel, pois há menos explosões e menos frases de efeito, contudo há também menos preocupação com a inteligência do espectador. A sequência inicial, na qual acompanhamos a passagem de tempo através de sucessivas imagens de guerras, num primoroso trabalho de arte, é a melhor parte do filme. Depois disso o longa segue ladeira abaixo no piloto automático dos grandes Blockbusters, cheio de cenas de ação desnecessárias: a invasão da fábrica é até divertida, mas é completamente absurda e destoa do tom mais verossímil dos filmes anteriores. A perseguição de moto não fica devendo em nada para a cena semelhante do esdrúxulo Triplo-X. Enfim, praticamente todas as cenas de luta estão deslocadas do roteiro, ou seja, estão lá só para deixar o filme mais “movimentado” (alguém saberia me dizer por que Wolverine e Gambit se arrebentam na pancada antes mesmo de trocarem uma ou duas palavras?). E o recurso se repete no decorrer da história, primeiro os personagens se estapeiam, depois ficam amiguinhos, numa possível referência involuntária ao sado masoquismo. Há também a historinha de amor, com direito àquelas sequências típicas em que a amada morre (mas não morre, é claro), então o amado se ajoelha sobre o corpo e depois ergue os braços para céu gritando Nãaaaaaooooo! (e o pior é que isso ocorre mais de uma vez, só que sem gritinho...). Enfim, X-Men Origens: Wolverine é mais do mesmo, não passa de retalhos de ideias requentadas que pouco ou nada acrescentam à vida de quem assiste. Nota: X-Men Origens: Wolverine - 6,0 Exterminador do Futuro: A salvação - 5,0
Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 14h23
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