CINEMA: DUPLICIDADE

HOLLYWOOD, MAS COM CÉREBRO

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O mundo das grandes corporações é tão competitivo que mais parece uma guerra. Aliás, muitos executivos, após devorarem os “evangelhos” de “São” Sun Tzu e “São” Maquiavel na faculdade, encaram o trabalho como sendo um campo de batalha, onde é necessária boa estratégia para eliminar, moer, trucidar, esganar, fazer picadinho, pular e cuspir em cima do inimigo (também conhecido como concorrente) e de preferência deixá-lo na miséria, para enfim se obter sucesso.

Em tempos de crise, podemos elevar essa elegante disputa à enésima potência, algo que é muito bem retratado já nos ótimos primeiros minutos de Duplicidade, quando dois executivos engravatados se pegam no tapa em câmera lenta.

            Esse divertido e inteligente filme faz piada do aspecto ridículo dessa ânsia doentia pelo sucesso financeiro. A graça está toda no absurdo da situação e em como os personagens levam aquilo tudo tão a sério (o diálogo sobre a pizza, por exemplo). E tal como fizeram os irmãos Coen, em Queime depois de ler, o roteirista e diretor Tony Gilroy (do excelente Conduta de Risco, com George Clooney), ainda injeta outro elemento: o filme de espionagem. A mistura sai praticamente perfeita.

 

 

            Clive Owen e Julia Roberts repetem o par romântico de Closer e demonstram mais uma vez que mandam muito bem (ok, com duplo sentido se você quiser, em homenagem ao nome do filme) quando estão juntos em cena. Os dois são ex-agentes do governo, contratados por grandes empresas para espionar as atividades da concorrência, a fim de identificar o segredo de um suposto novo produto que será lançado no mercado. Trabalhando em lados opostos e de posse de informações privilegiadas, os dois percebem essa como sendo a grande oportunidade de faturar uma bolada.

O excepcional roteiro não esclarece tudo de uma vez e a construção dos protagonistas é toda feita através de flashbacks. A única coisa que sabemos com certeza é que, nesse jogo de espelhos, tudo pode ser interpretado de duas formas e que ninguém é confiável (ninguém mesmo!).

As informações surgem desconectadas e talvez, precipitadamente, possamos pensar que há furos na narrativa, mas Gilroy não decepciona e amarra brilhantemente todas as pontas nos minutos finais (surpreendentes, é claro). Desta forma, Duplicidade é um filme que exige certa atenção, para que você depois não fique boiando, mas discordo que seja um filme “difícil” como afirmaram alguns críticos, até porque sua proposta é muito mais divertir do que levantar hipóteses filosóficas.

Até dá pra dizer que Duplicidade se parece com Sr. e Sra Smith, como querem alguns, mas a grande diferença é que no primeiro é necessário raciocinar para achar algo engraçado, e isso faz toda a diferença.

 

 

Nota: 9,0



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 11h58
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