NEM SÓ DE FAVELA VIVE O CINEMA NACIONAL . 
O personagem vivido por Gregório Duvivier afirma que as crianças que brincaram de carrinho na infância acabaram desenvolvendo uma visão mais tecnicista da vida e seguiram para área de exatas. Já as que brincaram com os bonequinhos Comandos em Ação, são mais criativas, pois aprenderam a lidar com as pessoas ou desenvolveram maior capacidade de criar histórias, elas penderam, portanto, para área de humanas. Em outro momento o mesmo personagem afirma que toda uma geração de jovens cresceu traumatizada, pois descobriu que a Vovó Mafalda era interpretada por um homem, “já imaginou a frustração? No lugar da figura da avó, um homem! E bêbado! Ou era o Bozo que era bêbado?”. É mais ou menos esse o espírito desse pequeno grande filme dirigido por Matheus Souza (um jovem de apenas 20 anos que é estudante de cinema da PUC do Rio de Janeiro. Inclusive, a universidade cedeu todo o equipamento e também serve como locação para o longa que custou míseros 8 mil reais - Tranformers, por exemplo, custou mais de 200 milhões de dólares- e se tornou sensação dos festivais de cinema). 
É importante frisar que embora “Apenas o Fim” seja um filme barato ele não é, em momento algum, tosco. Tudo parece muito bem planejado e sem os exageros de “filmes de autor”, com câmera tremendo ou coisa parecida, que poderia acontecer facilmente com um estudante querendo mostrar a sua “arte”. É um filme simples, mas muito bem feito. Diferente de algumas tosquices do Domingos de Oliveira, que se sustentam apenas pelo bom roteiro. A história começa quando uma namorada avisa seu parceiro que irá romper o namoro e que vai embora da cidade. Eles têm apenas uma hora para conversar antes dela partir. E o filme é basicamente isso, os dois conversando e andando pela universidade durante uma hora, com direito a alguns flashbacks bem humorados em preto e branco no meio. Os diálogos inteligentes fazem lembrar qualquer filme do Woody Allen e a estrutura é bastante parecida com os filmes “Antes do amanhecer” e principalmente com “Antes do Pôr-do-Sol”, ah, e o humor se assemelha ao de “Juno”, só que mais verossímil. 
Ao misturar aos diálogos, inúmeras referências pop dos anos 90, Matheus fez um filme incrível, que todo cinéfilo gostaria de ter feito (principalmente os que viveram a adolescência nesse período). Para completar o trabalho ainda conta com Los Hermanos na trilha sonora, com uma das melhores músicas de Marcelo Camelo. Outros bons momentos: “Eu não quero ser para você um Tom Bombadil, que foi tão importante para os Robbits no livro e depois foi simplesmente cortado no filme!” ou “Ah, esse menina aí pode até ser bonita, mas tem cara de quem o filme favorito é “Um amor para recordar” ou “Diário da paixão”, e que provavelmente nem entendeu o final!”. Dá pra resistir a um diálogo desses? Um filmaço! 
NOTA: 10,0
Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 14h52
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