Cinema: Brüno
Não é humor inteligente, mas não deixa de ser engraçado

“Borat” (2006) foi um filme que me impressionou tanto pela forma (um pseudo-documentário com pitadas de ficção) quanto pelo humor pouco convencional: fazer com que as pessoas entrevistadas exponham suas faces mais ridículas e cruéis sem se darem conta disto. O resultado dessa mistura foi, para mim, uma das coisas mais engraçadas que já vi na vida (ou será que foi “A vida de Brian” do Monthy Phyton? Ou o filme dos Simpsons?), pois se tratava de um humor ácido e muito inteligente. Ok, o jeitão desengonçado do “Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão” por si só já é engraçado, mas o que é realmente hilário em “Borat” são as pessoas comuns. 
Agora em “Brüno” (2009) temos a repetição da fórmula de sucesso, só que dessa vez temos menos documentário e mais ficção, pois fica bem claro que muitas das cenas são ensaiadas, só que em decorrência disso acabamos vendo também menos graça. Para tentar compensar essa falta de, digamos, “vida real”, Sacha Baron Cohen parte para uma estratégia mais agressiva, com intuito de chocar e fazer rir ao mesmo tempo. Então não dá pra dizer que “Brüno” apresente o tal do “humor inteligente”, pois ele simplesmente coloca as pessoas em situações vexatórias (o que dizer do close no “pênis dançarino” no programa de TV que ele cria? Qualquer pessoa ficaria constrangida naquela situação). Expor as pessoas ao ridículo pode até ser engraçado para alguns, mas não quer dizer que seja inteligente (o programa CQC, que gosto muito por sinal, volta e meia também se equivoca nesse sentido). 
Ok, Brüno não é tão genial quanto Borat, então quer dizer que o filme é ruim? Claro que não. Certo é que quem gostou de um vai também gostar do outro. A própria sinopse já dá uma ideia do absurdo que vem pela frente: um super estilista gay perde o emprego, após destruir um desfile de moda (ele resolveu utilizar uma roupa toda feita de velcro, então dá pra imaginar o estrago que faz quando ele encosta nas cortinas ou nas roupas das outras pessoas né?), e parte para América para tentar se tornar uma celebridade. Para conseguir isso ele não poupará esforços, como adotar (ou importar) uma criança de um “país” chamado África, tentar promover a paz mundial acabando com os conflitos no oriente médio, pedir para ser seqüestrado para que seu vídeo fosse mostrado em todo o mundo, procurar ajuda de um pastor evangélico especialista em “curar” gays e fazer com que se tornem heterossexuais, possibilitar que os sistemas de saúde de países subdesenvolvidos façam clareamento anal de graça, entre outras coisas bizarras. 
O filme é tão ridículo, mas tão ridículo que não tem como não achar graça (as pessoas que preferem o politicamente correto, provavelmente vão achar o filme nojento e desprezível). O humor de “Brüno” definitivamente não é para todos os públicos, pois é agressivo, então é preciso ter estômago para enfrentar a experiência de assisti-lo. A melhor forma de aproveitá-lo é não levar nada daquilo a sério, assim como o fazem alguns artistas que aparecem no clipe hilário do final do filme. Estão lá Bono Vox, Slash, Sting, Puff Daddy, Elton John, fazendo participações especiais num momento meio “We are the wold”. E a letra da música que eles cantam diz algo como “Coréia do Norte pare de brigar com a Coréia do Sul, afinal vocês são todos chineses mesmo. Brüno é a pomba da paz...”. Nota: 8,0
Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 11h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|