Minicontos - Parte II

Minicontos - Parte II

 

 

Originalmente publicados no www.twitter.com/ederalex

 

 

*Depois escondeu comprimidos na gaveta. Depois espalhou o coquetel pela cama. Depois jogou na privada. Depois ligou para a farmácia. Depois*

 

 

*Desligou, pensou em tudo que não disse. Derrotada? Elaborou um discurso melhor e retornou a ligação: ocupado. Depois a ideia fugiu*

 

 

*Parou de correr e se enfiou numa construção abandonada. Mãos tremendo. Pensou no que tinha acabado de fazer: Foda-se, antes ele do que eu*

,

 

*O mendigo esperou os turistas se afastarem da fonte. Desejos brilhantes e naufragados. Mergulhou, roupa e tudo. Desapareceu como num sonho*

 

 

*Ainda chorando, revirou o quarto. As cartas estavam numa gaveta. Rasgou todas e depois enfiou-as na boca. Não tinham gosto de borboletas*

 

 

*Os dias ficaram mais longos e as pessoas ainda mais insuportáveis. Angustiado, sentiu saudade de um futuro que nunca aconteceria*

 

 

*Na fotografia, o sorriso de quem ainda não sabia que o futuro seria ruim. Ela dentro de um vestidinho e, pela janela, a chuva. Parada no ar.*



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 09h38
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Cinema: Se beber, não case

A MELHOR COMÉDIA DO ANO

 

 

Comédia não é meu tipo de filme favorito, pois acho que esse é o gênero que mais comporta bobagens comerciais, ou seja, trabalhos realizados apenas para encher o bolso dos produtores e subestimar a inteligência do público (ok, talvez as comédias dividam esse status negativo com os filmes de ação).

Mas ultimamente não dá para negar que estão surgindo muitas comédias boas e que me fizeram sair do cinema com a barriga doendo de tanto rir. É o caso do excelente “Se beber, não case”, típico exemplo desse “novo humor” que tem surgido nas telas e que procura explorar as bizarras amizades masculinas (quem faz parte de algum grupo de amigos, sabe que quando todo mundo se junta  para tomar uma cerveja a capacidade de dizer e fazer besteiras é quase infinita).

 

 

Exemplos desse tipo de comédia são os recentes “Virgem aos 40, “Superbad”, “Ligeiramente Grávidos”, todos com a marca do diretor e roteirista Judd Apatow. Esse sujeito foi responsável por emprestar um caráter mais orgânico às comédias, utilizando ótimos diálogos que se aproximam e muito da realidade, e também retratando a amizade como um sentimento engraçado e terno ao mesmo tempo, algo que envolve cumplicidade e afeto, mas que não deve ser confundido com homossexualismo. Já deram até um nome para esse tipo de relacionamento: “bromance”, ou seja, amor de irmão, de dois caras que se gostam pra caralho (desculpe, mas esse é um caso em que o palavrão é necessário).

 

 

Agora é a vez de o diretor Todd Phillips explorar esse universo. Na história de “Se beber, não case”, quatro amigos partem para Las Vegas (a famosa Cidade do Pecado) para festejar a despedida de solteiro de um deles. Quando filme começa, a noite de festa já acabou. Eles acordam numa suíte de um hotel de luxo que está completamente revirada: há bonecas infláveis na banheira de hidromassagem, uma poltrona está pegando fogo, várias garrafas estão espalhadas por todo lado e até uma galinha circula pelo local. Até aí tudo bem, quem já tomou um porre daqueles sabe que o dia seguinte é mesmo um tanto quanto esquisito, surreal até, e que pouca coisa fica guardada na memória. Um dos personagens do filme define bem esse sentimento “se não nos lembramos de nada é porque a noite foi boa”. Só que coisas ainda mais bizarras provavelmente aconteceram na noite anterior, pois um deles acordou sem o dente da frente, há um tigre de verdade no banheiro, um bebê chorando no armário e mais um pequeno detalhe: o noivo sumiu.

 

 

 É a partir dessa premissa ridícula e hilária que a história se desenrola. Num clima investigativo bem ao estilo CSI os amigos desmemoriados precisam refazer os passos e descobrir o que diabos aconteceu na noite anterior. O bacana é que o roteiro é tão bem elaborado que tudo, por mais absurdo que seja, acaba fazendo sentido no final.

Esse é o tipo de filme que não dá pra contar muito senão acaba estragando parte do mistério e das piadas, então basta dizer que eles enfrentarão inúmeros perigos e situações engraçadas para tentar encontrar o tal amigo desaparecido, e que até Mike Tyson, ele mesmo, aparece para complicar a vida dos sujeitos.

 

 

Pela sua aparente simplicidade e despretensão (o filme custou apenas US$ 35 milhões e provavelmente fature US$ 400 milhões em todo o mundo! Esse fenômeno é quase uma Bruxa de Blair versão cômica) e também pela simpatia dos protagonistas (é praticamente impossível não se identificar com as atitudes ridículas dos personagens ou pelo menos compará-las às de algum amigo seu) “Se beber, não case” é, até o momento, a melhor comédia do ano.

 

 

Nota: 10,0



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 11h26
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