Amor a toda prova

 

Implico com comédias românticas, pois depois que inventaram a fórmula “Casal improvável se conhece + no começo se odeiam, depois de apaixonam + ficam juntos + algo dá errado e eles se separam + resolvem o problema + aprendem uma lição + vivem felizes para sempre”, parece que os roteiristas se limitaram a apenas repetir essa sequência narrativa exaustivamente. Vez ou outra surge um “500 dias com ela” da vida, para salvar a pátria, mas é raro.

Recentemente assisti o delicioso “Amizade Colorida” que também foge da tal fórmula e diverte (e muito) sem subestimar a inteligência do espectador. Mas é “A amor a toda prova” que me fez rever o meu preconceito contra comédias românticas. Assisti meio desarmado, não li nada a respeito, pois nem sabia direito que esse filme existia e isso só contribuiu para que a experiência fosse ainda melhor.

Não sei ao certo se dá para classificá-lo como comédia romântica, pois em meio às gargalhadas podem surgir muitas lágrimas. O elenco todo é espetacular, estão lá: Steve Carell, Ryan Gosling, Julianne Moore, Marisa Tomei e Kevin Bacon. O filme conta a história de um casamento desgastado que desaba de vez após a revelação de que houve uma traição. A partir daí o marido (Carrell, sempre brilhante) tentará se reconstruir como homem e para isso terá a ajuda do garanhão Jacob (Gosling) que frequenta o mesmo bar que ele e já está de saco cheio de vê-lo reclamar da vida. Paralelamente temos a história do filho mais novo, que se vê apaixonado pela babá adolescente, a qual está apaixonada pelo pai do garoto.

Lendo este breve resumo a sensação que temos é de que já vimos essa história e que o filme não passa de uma repetição de clichês. Mas a solução encontrada pelos roteiristas para desenvolver estes arcos dramáticos é de uma sensibilidade impressionante, pois consegue mesclar cenas absurdas e engraçadas, com outras sensíveis e dramáticas. Isso tudo sem o uso de narradores ou muita verborragia.  A história vai se construindo com vários momentos de silêncio, de coisas não-ditas, que fazem com o espectador preencha as lacunas e ajude a construir a história dos personagens.

O filme não só escapa dos clichês como faz piadas com eles. Num certo momento (aviso: talvez isso seja um pequeno spoiler), após a hilária cena do tanquinho, Jacob oferece bebida para a garota e então eu logo pensei “Pronto, ele vai fazê-la dormir, não transará com ela por respeito e eles se apaixonarão”. Foi só eu pensar isso e a personagem disse “ok, já conheço isso, você vai me fazer dormir, não transará comigo e...”. Eu quase rolei de rir por causa disso.

“Amor a toda prova” está muito além das comédias românticas. É um belo filme (um dos mais belos que assisti nos últimos anos) sobre o amor, sobre o valor da família e dos amigos. E embora tudo isso possa parecer muito clichê, é muito bom quando um filme consegue nos fazer enxergar o óbvio de maneira tão bonita.

 

Avaliação: @@@@



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 12h17
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