SUBLINHEI NUM LIVRO

        Tenho lido (e adorado!) as crônicas de António Lobo Antunes e divido aqui com vocês alguns dos trechos que andei sublinhando:

“Nunca percebi quando se deixa de ser pequeno para passar a ser crescido (...) Provavelmente quando cessamos de ter medo do escuro. Provavelmente quando nos tornamos tristes. Mas não tenho certeza: não sei se sou crescido”

 

“Pronto, voltem para a cama i-me-di-a-ta-men-te. A gente voltava e logo a seguir tinha trinta anos. Reparava-se então que a maior parte das pessoas se havia tornado fotografias”

 

“as minhas avós e as minhas tias cuja intimidade com os santos me maravilhava e que se apressaram a ensinar-me o catecismo a partir do dia em que perguntei apontando uma pagela do Espírito Santo

- Quem é este pardal?

Tentando explicar-me que Deus não era pardal, era pombo, e eu imaginei-o logo na Praça de Camões a comer à mão dos reformados, o que não me parecia uma actividade muito compatível com a criação do universo”

 

“Os Natais agora sou eu atrás das palavras de um romance (...) Mas pode ser que para o ano (...) meu avô reapareça, me volte a pousar a mão no ombro, me faça aquela festa que ele fazia com o polegar na nuca

(- O meu netinho)

e eu sinta de novo a sua força e ternura, sinta de novo, como sempre senti, que estando junto dele nunca nenhuma coisa má, nenhuma coisa triste, nenhuma coisa reles me poderia acontecer porque o meu avô não havia de deixar”

 

“É impossível escrever sem contradição, tortura, veemência, remorso e essa espécie de fúria indignada das sarças ardentes que lança as emoções umas de encontro às outras num exaltamento perpétuo. As idéias muito fortes deságuam nas certezas e onde estiverem certezas a arte é impossível”

 

“Minha sede de aplauso é nula porque meu apetite de escrever é enorme”

 



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 18h44
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A Pele Que Habito

 

Há muita cor no cinema de Almodóvar. São cores fortes, marcantes e muitas vezes exageradas assim como seus personagens. Essa é a pele dos seus filmes. Neste mais recente há predominância do vermelho (aliás, eu não via tanto vermelho assim desde “Gritos e Sussurros”, de Bergman). São vestidos, cadeiras, cinzeiros, lençóis e também sangue, pois embora não abandone as cores vivas, agora Almodóvar está sombrio. Quando assisti “Fale com ela” passei a achar o cineasta espanhol um gênio, mas com o passar do tempo e de alguns filmes não tão bons, passei a questionar essa genialidade toda. Fiquei até com preguiça de ver o anterior, “Abraços Partidos”. Mas eis que surge esse “A pele que habito” para acabar com qualquer questionamento: sim, ele é um grande cineasta. Nesta macabra e ao mesmo tempo sensível história de um cirurgião com jeitão de Frankenstein, Almodóvar não só discute as questões sobre ambiguidade sexual que lhe são tão caras, como também faz uma análise interessantíssima sobre nossa exterioridade. Sobre como nossa forma física pode aparentemente determinar quem somos, mas não consegue esconder nossos segredos mais podres, aquilo que temos de mais enrustido. Almodóvar nos mostra que no fundo todos nós estamos fantasiados. Nota: @@@@@



Escrito por Eder - eder_ceima@yahoo.com.br às 17h14
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